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2 de out. de 2021



"OS MORTOS NÃO SE VINGAM. QUEM SE VINGAM SÃO OS VIVOS. OS MORTOS SÓ QUEREM PAZ."

Depois de sete anos longe de casa Victoria retorna, perdida com os problemas que o mundo lhe deu na capital só o pai poderia ajudá-la. Sensitiva desde o nascimento ela não gosta da cidade onde nasceu e viveu a maior parte de sua vida.

Sentimentos conflitantes e premonições horríveis a espreitam por lá, se não fosse o grande problema que ela tem não se atreveria a voltar.

Barão é o melhor empregado do mundo, desde criança dedica sua vida ao cafezal e se sente como da família, o retorno de Victoria só pode significar uma coisa, ela precisa de dinheiro e quer tirar do pai, mas não suporta que ela possa tirar o que ele pensa que é dele por direito e vai fazer de tudo para que ela retorne logo para a capital.

Apesar de Victoria ter pavor da cidade ela tinha lá uma grande amiga, e em seu retorno ela descobre que Uiara sumiu, em uma cidade como aquela ninguém se preocuparia com uma mulher negra que desapareceu e não fica surpresa ao perceber que ninguém se importa, nem a própria avó de Uiara.

Cercada por lembranças e sentimentos ruins Victoria decide que precisa descobrir o que aconteceu a Uiara, nem que precise desenterrar os piores segredos de sua própria família.

Tiago Toy tem uma escrita fascinante, durante a narração de Fantasmas podemos ter vislumbres de uma trama muito mais intrincada e bem elaborada, levando o leitor a duvidar das próprias conclusões Tiago trás um enredo tão bem elaborado que fica difícil não acreditar que foi algo que aconteceu.

Eu já conhecia a escrita do Tiago e esse livro com certeza me tornou fã. Apesar de ter amado o livro fiquei com um gostinho amargo e a espera de uma continuação, pois apesar de a trama principal ter sido resolvida, uma pergunta fica ao final, quais serão os atos de Victoria após descobrir o segredo mais protegido de sua família?

Enfim, amei demais esse livro e recomendo para quem gosta de um bom suspense com aquele toquezinho de terror!

27 de dez. de 2019


Vozes do Joelma
Marcos DeBrito, Marcus Barcelos, Rodrigo de Oliveira, Victor Bonini, Tiago Toy
Nota: 5/5
Onde Comprar: Amazon
Este livro foi uma cortesia da Faro Editorial

Vozes do Joelma trás 4 contos e a narração de Tiago Toy interligando-os. Para quem não sabe o Edifício Joelma foi palco de um dos maiores incêndios do Brasil, ocorrido em fevereiro de 1974, deixando 187 mortos e mais de trezentos feridos.

A primeira tragédia é contada por Marcos DeBrito, em Os Mortos não perdoam conhecemos a história de Pablo, um químico que se vê atormentado pelos seus crimes, e conhecemos a fundo os seus vícios e medos. [ Baseado no Crime do Poço, um crime ocorrido em 1948. ]

Depois conhecemos o ponto de vista de Rodrigo de Oliveira, em sua história conhecemos Samara, uma mulher ambiciosa suposta a tudo para alcançar os seus objetivos. Ao se deparar com um possível crime de seu superior ela não hesita ao denunciá-lo com intuito de tomar seu lugar, mas o que ela não espera é ser surpreendida com a volta dele após um terrível acidente, transformando as ultimas horas de sua vida em um tormento inimaginável. [Neste conto temos um vislumbre de como ocorreu o incêndio.]

Marcus Barcelos nos trás uma visão pós tragédia. Amilton se vê surpreendido quando acaba responsável pelo cemitério onde treze vitimas do incêndio, presas em um elevador acabam sendo enterradas juntas, treze covas lado a lado sem identificação. [Baseado em O Mistério das Treze Almas, que arrecada devotos até os dias atuais]

E por fim Victor Bonini nos trás a derradeira maldição do prédio, que após muitos anos abandonado se torna uma ocupação. Lá intrigas e medos afloram, e uma senhora com muito medo da morte e com a vontade de cuidar de sua família se vê impelida a praticar crimes que vão alem de sua compreensão.

Vozes do Joelma é um livro cru e intenso que se torna mais prazeroso ainda com a ‘interferência’ de Tiago Toy, que dá voz a uma ‘entidade’ que nos norteia durante toda a narrativa. Foi uma leitura maravilhosa e intensa, acoitada por uma edição que deixaria qualquer autor de terror maravilhado.

Marcos DeBrito, Rodrigo de Oliveira, Marcus Barcelos e Victor Bonini são autores reconhecidos pela crueldade de seus personagens e grandes reviravoltas nas narrativas. As mentes doentias por trás dos livros A Casa dos Pesadelos, O Escravo de Capela, Dança da Escuridão, Horror na Colina de Darrington, Quando ela desaparecer, O Casamento, Colega de Quarto, e da série As Crônicas dos Mortos, se uniram para criar versões perturbadoras sobre as tragédias que ocorreram em um terreno amaldiçoado, e convidaram o igualmente perverso Tiago Toy para se juntar na tarefa de despir os homicídios, acidentes e assombrações que permeiam um dos principais desastres brasileiros: o incêndio do edifício Joelma. O trágico acontecimento deixou quase 200 mortos e mais de 300 feridos, além de ganhar as manchetes da época e selar o local com uma aura de maldição. Esse fato até hoje ecoa em boatos fantasmagóricos que envolvem a presença de espíritos inquietos nos corredores do prédio e lendas sobre lamúrias vindas dos túmulos onde corpos carbonizados foram enterrados sem identificação. Algo que nem todos sabem, é que muito antes do Joelma arder em chamas no centro de São Paulo, o terreno já havia sido palco de um crime hediondo, no qual um homem matou a mãe e as irmãs e as enterrou no próprio jardim. Devido às recorrentes tragédias que marcaram o local, há quem diga que ele é assombrado por ter servido como pelourinho, onde escravos eram torturados e executados. E sua maldição já fora identificada pelos índios, que deram-lhe o nome de Anhangabaú: águas do mal. Se as histórias são verdadeiras não se sabe... A única certeza é que a região onde ocorreu o incêndio tornou-se uma mina inesgotável de mistérios. E, neste livro, alguns deles estão expostos à loucura de autores que buscaram uma explicação.