11.19.2017

Cinco livros para conhecer neste dia 20 de Novembro

Como muitos sabem (e alguns não) dia 20 de novembro é o dia nacional da Consciência Negra, esse dia foi escolhido por ser o suposto dia da morte de Zumbi dos Palmares, o ultimo líder do maior quilombo conhecido, Palmares. O objetivo desta data é refletir sobre a inserção do negro na sociedade Brasileira.
Estive pensando em fazer uma postagem sobre algo bem relevante neste dia, e pensei em protagonistas, quantos protagonista (de livros) negros você conhece? Eu realmente não conheço praticamente nenhum, e precisei pedir ajuda para alguns amigos para conseguir elencar cinco livros com protagonistas negros. Vamos lá?
O primeiro livro que me foi indicado (e não só por uma pessoa, mas várias) foi O Ódio que Você Semeia, que infelizmente ainda não li.


Uma história juvenil repleta de choques de realidade. Um livro necessário em tempos tão cruéis e extremos.
Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial.
Não faça movimentos bruscos.
Deixe sempre as mãos à mostra.
Só fale quando te perguntarem algo.
Seja obediente.
Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto.
Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início.
Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa.
Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar.

O Escravo de Capela é um livro cruel e intenso, e toca nas feridas ainda abertas, a escravidão no Brasil foi cruel, intensa e horrível, e apesar de ser a idealização de um mito, o Saci, este livro serve para refletir um pouco mais o que foi a escravidão no Brasil.


Durante a cruel época escravocrata do Brasil Colônia, histórias aterrorizantes baseadas em crenças africanas e portuguesas deram origem a algumas das lendas mais populares de nosso folclore.Com o passar dos séculos, o horror de mitos assustadores foi sendo substituído por versões mais brandas. Em “O Escravo de Capela”, uma de nossas fábulas foi recriada desde a origem. Partindo de registros históricos para reconstruir sua mitologia de forma adulta, o autor criou uma narrativa tenebrosa de vingança com elementos mais reais e perversos. Aqui, o capuz avermelhado, sua marca mais conhecida, é deixado de lado para que o rosto de um escravo-cadáver seja encoberto pelo sudário ensanguentado de sua morte. Uma obra para reencontrar o medo perdido da lenda original e ver ressurgir um mito nacional de forma mais assustadora, em uma trama mórbida repleta de surpresas e reviravoltas.

Na Minha Pele de Lazaro Ramos é um livro que fala sobre tudo um pouco, onde ele reflete as várias injustiças sociais e acontecimentos da sua vida. É um livro de reflexão e segundo o autor: uma conversa franca com o leitor.
Foto: Nilton Fukuda/Estadão


Movido pelo desejo de viver num mundo em que a pluralidade cultural, racial, étnica e social seja vista como um valor positivo, e não uma ameaça, Lázaro Ramos divide com o leitor suas reflexões sobre temas como ações afirmativas, gênero, família, empoderamento, afetividade e discriminação. 
Ainda que não seja uma biografia, em Na minha pele Lázaro compartilha episódios íntimos de sua vida e também suas dúvidas, descobertas e conquistas. Ao rejeitar qualquer tipo de segregação ou radicalismos, Lázaro nos fala da importância do diálogo. Não se pode abraçar a diferença pela diferença, mas lutar pela sua aceitação num mundo ainda tão cheio de preconceitos. Um livro sincero e revelador, que propõe uma mudança de conduta e nos convoca a ser mais vigilantes e atentos ao outro.

Kindred: Laços de Sangue é um livro impactante que mostra uma realidade horrível, do futuro para o passado, uma realidade que aconteceu e não deve ser esquecida.

Em seu vigésimo sexto aniversário, Dana e seu marido estão de mudança para um novo apartamento. Em meio a pilhas de livros e caixas abertas, ela começa a se sentir tonta e cai de joelhos, nauseada. Então, o mundo se despedaça.
Dana repentinamente se encontra à beira de uma floresta, próxima a um rio. Uma criança está se afogando e ela corre para salvá-la. Mas, assim que arrasta o menino para fora da água, vê-se diante do cano de uma antiga espingarda. Em um piscar de olhos, ela está de volta a seu novo apartamento, completamente encharcada. É a experiência mais aterrorizante de sua vida... até acontecer de novo. E de novo.
Quanto mais tempo passa no século XIX, numa Maryland pré-Guerra Civil – um lugar perigoso para uma mulher negra –, mais consciente Dana fica de que sua vida pode acabar antes mesmo de ter começado.


E por último, mas não menos importante, Quarto de Despejo, os relatos de Carolina Maria de jesus, negra, favelada, miserável. Foi um livro escrito em 1950, um diario das diabruras vividas por Carolina que trazem uma realidade dura, que pelo que sabemos pode perdurar até hoje.


Quarto de Despejo é um diario. Escrito dia a dia. Caderno e mais caderno cheios pela letra de uma mulher. Recheados do cotidiano autêntico, vivido. A luta pela sobrevivência como ela é, em todos os "quartos de despejo" do mundo, à margem das grandes cidades. Quarto de Despejo é mais que isso. É reportagem, é romance, é história de um grupo humano em certa época do mundo. É a voz do povo, patética, lírica, sentimental, forte e inesquecível. O duro cotidiano dos favelados ganha uma dimensão universal, na linguagem simples do diário de uma catadora de lixo.
***

“Que efeito surpreendente faz a comida no nosso organismo! Eu que antes de comer via o céu, as árvores, as aves, tudo amarelo, depois que comi, tudo normalizou-se aos meus olhos.
… A comida no estômago é como o combustível nas maquinas. Passei a trabalhar mais depressa. O meu corpo deixou de pesar. Comecei a andar mais depressa. Eu tinha impressão que eu deslisava no espaço. Comecei a sorrir como se estivesse presenciando um lindo espetáculo. E haverá espetáculo mais lindo do que ter o que comer? Parece que eu estava comendo pela primeira vez na minha vida” (JESUS, 2007, p.45-46)."

Acho que de todos os livros aqui citados esse é o mais impactante, cru e real.

Então galera fico por aqui, se você tem uma dica de livro para esse Dia da Consciência Negra deixe aqui nos comentários!


2 comentários:

  1. Paty arrasou nas indicações. O Ódio que Você Semeia é sensacional. E algumas pessoas ainda acham que nos dias de hoje não há a necessidade de se discutir discriminação racial.
    O livro do Lázaro Ramos é uma obra extremamente necessária assim como as obras de Carolina de Jesus.
    Excelente post!!!

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  2. Olá Paty,

    Gostei das indicações, resenhei no blog o Escravo de Capela e gostei demais, os demais livros eu não conhecia...bjs.


    http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

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